Capitulo 1

O casebre de madeira rangia a cada passo que aquele vulto negro dava; mesmo se esforçando para pisar com leveza, o lugar já estava podre e o chão de madeira do segundo andar já estava a ponto de desmoronar se algo mais pesado passasse por ali.

O vulto em questão era Lust, mas não um Lust calmo de olhar frio e sem emoções que era acostumado a aparecer nas reuniões do conselho; era um Lust suado, ofegante e com o olhar atento na escuridão, que era cortada apenas por uma luz fraca prateada que escapava pelas frestas de uma porta que demonstrava os mesmos sinais do tempo do restante do casebre.

Apertou o primeiro passo com esforço para que a madeira não rangesse; em vão pois ao pisar no assoalho o piso rangeu alto agitando a luz que escapava das frestas. – Droga – pensou o jovem jogando a franja molhada de lado com um gesto de cabeça. Em seguida o seguida o segundo passo, sem ranger só mais um e estaria de frente com a porta. E ao dar o terceiro passo tudo ficou em silencio, Lust sorriu com o canto esquerdo do lábio e desembainhou a katana da cintura, o barulho metálico da lamina cortando o ar encheu o ambiente penumbre – Te peguei – Pensou levantando a perna para chutar a porta, mas fora surpreendido.

Uma espada medieval transparente onde se podia enxergar uma fumaça prateada que emanava luz atravessou a parede velha de madeira e teve como destino se encravar no abdômen de Lust, que não teve uma reação de defesa imediata, só conseguiu olhar para baixo em direção a espada e ver que seu sangue escorria pela lamina luminosa, sangue começava também a encher e a vazar pela boca de Lust no canto esquerdo que antes havia um sorriso agora era preenchido por um borrão de vermelho bem escuro.

Quando finalmente teve uma reação Lust deu um soco na porta na altura de sua cabeça atravessando ela com os punhos agarrando a cabeça de seu agressor, puxou com violência alargando mais ainda o buraco feito pela sua mão revelando a cabeça protegida por um elmo de um cavaleiro e ela tinha a mesma consistência da espada, era um elmo transparente e podia-se enxergar a mesma fumaça prateada da espada. Logo após num movimento rápido Lust largou ao elmo do cavaleiro e estocou a katana na direção da boca do elmo perfurando-o como se fosse feito de papel, o cavaleiro fantasma se debateu por alguns segundos rápidos e em seguida se desfaleceu sem vida com o pescoço apoiado no buraco feito pela sua cabeça e o corpo mole contra a porta velha.

Com dificuldade porque o golpe do cavaleiro havia entrado cerca de dez centímetros em seu abdômen, o vampiro arrancou a espada prateada de dentro de si e cambaleou para frente e com o peso do seu corpo apoiado com a mão na porta a abriu para dentro, a porta rangeu como se as dobradiças estivessem enferrujadas a vários séculos e só não abriu por completo porque o corpo do cavaleiro ainda jazia no buraco da mesma.

Do outro lado do quarto Lust pode ver graças a luz que emanava do cavaleiro que havia uma pessoa lá dentro, trajando um vestido comprido e negro com babados da mesma tonalidade, era uma figura já meio corcunda devido a idade extremamente avançada, seus cabelos brancos e lisos estavam presos em um coque amarrado um pouco a cima da nuca, seu rosto era velho e enrugado e graças a luz irregular do cavaleiro dava uma aparência mais amedrontadora para aquela velha que se postava diante de um altar de costas para a porta.

Era Eleonor, e ela vagorosamente começava a acender algumas velas a sua frente e o quarto ia ganhando iluminação de tom amarelado e prata, as velas eram de cor vermelha e Lust pode notar que na frente da senhora havia uma pessoa nua; era uma moça, uma jovem morena de cabelos vermelhos bem vivos amarrada com os braços abertos para cima e as pernas amarradas juntas uma na outra, estava amarrada a pelo menos um palmo do assoalho.

- Deveria fazer menos barulho meu jovem – a voz de Eleonor por mais que o corpo aparentava de uma idosa era jovial até estranho de se ouvir em uma senhora daquela idade – Não era esse o treinamento? Atravessar essa casa sem fazer barulho?

- Apenas – Lust ignorou a repreensão da mulher e apoiando a lamina da espada no chão a usou como bengala para se aproximar – Apenas me cure.

Eleonor soltou um risinho baixo e se virou para Lust – Te curar? Eu devia é deixar você sangrar até morrer, Lust – Ela se aproximou a mulher cheirava a alho o que fez Lust fazer uma cara feia – Você não esta levando meu treinamento a sério, querido? Como planeja entrar para a guarda real assim? Você é muito desleixado e despreparado meu jovem – ela se endireitou para encarar Lust que era mais alto que ela até mesmo nessa posição que ele se encontrava apoiado na espada e ofegando sangue pela boca, levou o dedo fino e velho até o maxilar do moreno limpando um pouco do sangue que escorria, em seguida levou o dedo a própria boca e experimentou do sangue de Lust – Você não está pronto, não sobreviveria nem uma noite esfregando o chão na guarda. Seria estraçalhado só de pisar o pé ali.

Irritado, Lust agarrou o pescoço da mulher apertando o suficiente para começar a sufoca-la e falou serrando os dentes vermelhos de sangue.

- Não me interessa o que você acha, eu quero apenas que você desfaça esse estrago que seu fantasma me fez, era para ser um treinamento e você quase me matou – Lust soltou a mulher que tossiu algumas vezes recuperando o folego e levou as mãos massageando o próprio pescoço.

- E você acha que em missão você teria moleza meu jovem? – Eleonor ergueu a mão e desferiu um tapa no rosto de Lust, nesse momento do lado de fora do casebre um relâmpago cortou o céu e uma chuva torrencial começou a cair gota por gota contra a madeira velha do casebre – Tenha mais respeito comigo, se não fosse por mim você estaria morto uma hora dessas, você tem que me agradecer, não me agredir! Você atingiu um novo nível de seu treinamento, agora enfrentará meus fantasmas, não mais humanos amedrontados que você sente o medo deles de longe.

- Me desculpe – Lust falou baixo e voltou a encarar a velha – Eu só não esperava que o treinamento tivesse atingido esse nível.

- Você nunca sabe o que esta atrás da porta, querido – A mesma mão que bateu no rosto de Lust foi a mesma mão que afagou o rosto do jovem e deu leves tapinhas logo em seguida, Eleonor sorriu como uma vó sorri para um neto – Você será curado, venha!

Eleonor apoiou Lust com um braço em volta de seu pescoço para ajuda-lo a andar até em frente ao altar onde largou-o sentado no chão, em seguida retirou uma adaga curva de cima do altar e se aproximou da moça ruiva amarrada na parede erguendo a adaga em direção ao pescoço da ruiva que estava desmaiada e com os cabelos tampando seu rosto.

- Espere – interrompeu Lust. Eleonor parou com a adaga já pronta para cortar o pescoço da mulher – Deixe que eu faço – A velha olhou para Lust com um sorriso de satisfação no rosto e entregou a adaga para Lust enquanto o mesmo se levantava, ele recusou a adaga e se colocou em pé de frente com a ruiva, em seguida levantou sua katana e encostou a lamina gelada no pescoço da ruiva que foi despertando lentamente – Não tenha medo – a voz de Lust soou doce, mas em vão já que a moça arregalou os olhos e começou a gritar – Odeio quando vocês gritam! – Num movimento rápido a lamina da katana deslizou pela jugular da mulher transformando seu grito em engasgos com sangue que começava a escorrer da sua boca e do corte aberto por Lust.

O liquido vermelho começou escorrer do pescoço, passando pelos seios que não eram relativamente pequenos e continuou seu percurso guiado peça gravidade para baixo encharcando a barriga e continuando descendo pelas pernas até a primeira gota pingar no chão, Lust se aproximou guardando a espada na bainha – Shii shii shii – levou a mão até a boca da ruiva que revirou os olhos e depois de um ultimo suspiro morreu com a boca de Lust grudada no corte de seu pescoço sugando o sangue que escorria dali.

Eleonor assistia a tudo quieta logo atrás, deu alguns passos de costa e se virou em direção a porta saindo fazendo um gesto com a mão em direção ao corpo do cavaleiro fantasma que foi desaparecendo lentamente em fumaça cinza prateada no ar – Estarei esperando lá em baixo para continuarmos.

Conforme o sangue descia quente pela garganta de Lust, o vampiro sentia a ferida se fechando, ardia na hora, mas era um ardor bom e aos poucos a dor foi diminuindo até que finalmente o corte se fechou e o rapaz se sentiu revigorado e as forças voltando aos poucos.

- Estava uma delicia, querida – Lust limpou a boca com a manga da jaqueta e se retirou do quarto, com o movimento de se virar para a porta todas as velas que Eleonor tinha acendido se apagaram com a corrente de ar. Nesse momento a chuva que caia branca lá fora começava a castigar o pequeno casebre de madeira, em alguns pontos da casa havia algumas goteiras.

No andar de baixo se encontrava a sala, ou o que poderia se chamar de sala a final estava tudo destruído, desde a estante que se localizava próximo a janela na direita que faltava duas portas até o sofá que era carcomido por traças e o estofado era mofado. Na parede esquerda da porta de entrada se encontrava uma lareira e Eleonor brigava com um fantasma que era a única fonte de iluminação do ambiente, eles tentavam acender a lareira e pelo que Lust pode perceber eles estiveram ali por vários minutos desde que Eleonor o deixou com a ruiva no andar de cima.

- Então pelo que posso ver meu treinamento é como acender uma fogueira? – Disse Lust entre risos enquanto descia as escadas que rangiam.

- Calado – Repreendeu Eleonor – Não é aconselhado usar magia para fazer chá, portanto estou tentando ascender essa lareira de maneira antiga. – Eleonor falava enquanto jogava alguns fósforos na lareira, mas era em vão ela não acendia.

- E bem rudimentar – Lust se largou no sofá carcomido levantando poeira o que o fez tossir. – É sério que temos que ficar nessa choupana velha? Você poderia facilmente me treinar em algum lugar mais habitável.

- Você sabe o que aconteceu quando estávamos em um lugar mais habitável – irritada com o fogo que não acendia, Eleonor estendeu a mão para a fogueira e um feixe de luz prateado saiu da palma de sua mão produzindo um fogo prateado quando entrou em contato com a madeira da lareira – Não vai ficar tão bom, mas é o que da pra fazer – Em seguida começou os preparativos para o chá colocando um bule com algumas ervas dentro dele ao fogo.

- Falando nisso você nunca me explicou porque eles me caçam – Lust se endireitou no sofá e começou a encarar as costas de Eleonor – Você nunca me explicou nada sobre mim, só que sou um vampiro e que tenho que entrar para a guarda real ai sim estarei protegido. Só não entendo como estarei protegido guardando a boca do inferno.

- A guarda real – começou Eleonor - um lugar onde vampiros e humanos trabalhavam juntos protegendo o portal que leva ao inferno. Diz à lenda que há milhares de anos a terra era habitada por demônios e humanos, os humanos tentavam viver sua vida normalmente se adaptando e evoluindo a vida, mas os demônios os caçavam, dizimando aldeias e cidades inteiras, até que um demônio se apaixonou por uma humana e desse relacionamento nasceu um hibrido demônio com humano – enquanto explicava Eleonor mexia o bule com uma colher velha – Ele foi o primeiro vampiro que se teve menção seu nome era Efil.

- Essa história velha eu já conhe… – Lust foi interrompido com um olhar de desaprovação de Eleonor.

- Assim como a maioria dos vampiros, Efil teve uma infância curta, e com poucos anos de vida já aparentava ser um adolescente e nessa época da vida os demônios souberam dessa aberração, como Efil era chamado entre eles e resolveram caçá-lo, o pai e a mão de Efil foram assassinados enquanto tentavam proteger o filho que teve que fugir pelos campos, era um inverno muito rigoroso e Efil se perdeu no meio dos campos brancos congelados até ser encontrado em um casebre velho como esse por um grupo de caçadores. No começo Efil que era apenas um adolescente foi tratado pelos caçadores a comida humana, mas o jovem nutria um desejo por sangue e foi nessa mesma noite que Efil teve seu primeiro contato com sangue humano e percebeu que aquilo saciava sua sede, mas o que o rapaz não percebeu foi um corte em sua mao que derramou uma única gota de sangue dentro da boca de um caçador morto pela sua mordida, o transformando assim em um vampiro da mesma espécie que Efil.

“Quando se deu conta de seu poder e que poderia criar uma nova raça para controlar os demônios e humanos e assim vingar sua família morta, Efil começou sua jornada transformando vilarejos inteiros, aldeias, formando para si seu próprio exército pronto para atacar os portões do inferno. Que ele não fazia a menor noção de onde era, mas depois de muito penar, muitos aliados perdidos em batalhas contra demônios e humanos o vampiro teve sorte e finalmente encontrou o portal e numa noite chuvosa, os portões foram selados, mas não sem um ultimo sacrifício de Efil que selou os portões pelo lado de dentro e desde então o portal é guardado por vampiros e humanos em um pacto de sangue, era desejo de seu salvador que a nova raça criada por ele aprendesse a viver com os humanos, buscando outras fontes de sobrevivência sem ser alimentar-se do sangue dos humanos.”

“Lógico que depois da morte de Efil, vários grupos de seus filhos se separaram, alguns concordando com a idéia de seu pai e se aliaram a humanos, se alimentando basicamente de animais, mas sempre há os desertores que eram totalmente opostos a idéia de Efil, por se considerarem uma raça superior e por isso caçam e se alimentam de humanos como selvagens.”

- Mas não é isso que fazemos? – Interrompeu Lust – Quero dizer, olha aquela mulher lá em cima que acabamos de matar.

- Aquilo está dentro dos nossos limites, nenhum vampiro sobrevive a ferimentos graves sem o sangue e isso esta no pacto dos remanescentes a ideia de Efil, em que s vampiros se alimentam apenas para sobreviver e não para atacar ou procriar a espécie - Eleonor deu umas ultimas mexidas no bule e retirou o mesmo do fogo levando-o até próximo de Lust e servindo um pouco em uma xicara suja, Lust fez uma cara feia mas aceitou a bebida, Eleonor se serviu do mesmo chá em uma xicara um pouco mais limpa que a de Lust, o mesmo abriu a boca para reclamar, mas preferiu guardar para si e continuar ouvindo a velha – Lógico que os anos se passaram, e a guarda real foi estabelecida para proteger os portões do inferno, alguns humanos corajosos, vampiros que seguiam o ideal de Efil e principalmente os mais fortes e temíveis pelos desertores – Eleonor deu um gole no chá – Os híbridos.

- Hibridos? – Lust parecia confuso, bebeu um pouco do chá o liquido desceu amargo e quente pela garganta – Eu pensei que apenas Efil era hibrido.

- Pensou errado querido, Efil foi o primeiro vampiro, o primeiro hibrido demônio humano, mas com o passar dos anos e com o pacto de Efil, vampiros começaram a se relacionar com humanos dando origem a uma nova espécie, vampiros mais fortes, mais ágeis, e principalmente, se a necessidade de consumir o sangue humano com tanta frequência quanto os originais – Eleonor bebericou o ultimo gole do chá e se serviu mais um pouco do mesmo – Mas você meu caro, é um caso mais raro ainda, que até então nunca se ouviu falar por isso você é caçado.

- O que eu sou, Eleonor?

- Você querido tem uma mãe que era hibrida de vampiro com humano e um pai demônio.

Lust arregalou os olhos, não podia acreditar que a mulher escondeu tudo isso dele por tanto tempo. Desde que ele havia nascido Lust teve Eleonor como a única família, e a velha sempre evitou falar sobre esses assuntos com ele, evitava, mudava de assunto ou falava que não era chegado a hora. Lust não teve reação apenas encarou Eleonor estático.

- Você é a fusão das três raças que um dia mais se odiaram em todo o mundo, você tem a força de um vampiro, o ódio de um demônio e ao mesmo tempo os sentimentos de um humano – Apesar das revelações, Eleonor se mantinha calma como se nada ali fosse novidade para ninguém.

- Por que escondeu isso de mim por tanto tempo? – Lust se levantou andava de um lado para o outro tentando digerir toda aquela informação – FALE! – gritou com raiva porque a única coisa que Eleonor fazia era o olhar com aqueles olhos cinza murchos da idade.

- Porque agora você sabe o motivo que deve ir para a guarda real e porque vem sendo caçado pelos desertores, eles temem você e o que pode fazer se você unir-se a guarda, eles tentam de todas as formas te matar, minhas forças podem parecer infinitas, Lust, mas estão acabando e chegará a hora que você deverá trilhar seu caminho sozinho. Você Lust tem a mesma história de Efil, teve seus pais assassinados ainda criança, mas teve sorte de eu te pegar para te proteger e o guia-lo para o lado do bem – Eleonor se levantou e apertou devagar os ombros do rapaz – Eles estão aqui.

Um trovão cortou o silencio depois da ultima frase pronunciada por Eleonor e a porta da entrada havia sido arrombada, as janelas voaram para dentro da casa e oito vampiros desertores usando capas negras e com espadas curtas nas mãos entraram na casa.

- Corra Lust, eu atraso eles, você deve chegar até a guarda – Os olhos de Eleonor começaram a brilhar e a mesma luz prateada que emanava de seus fantasmas agora começava a emanar da velha, nesse momento cinco cavaleiros fantasmas haviam sido invocados e eles saiam do chão como se estivessem saindo de suas tumbas.

- Não vou deixa-la aqui – Lust gritou desembainhando a katana – Eles não são nada já enfrentamos esses antes.

- Esses são diferentes

Eleonor apertou os olhos em direção a porta, parecia que o tempo havia congelado, um frio cortante começou a tomar conta do ambiente a respiração de todos no local, inclusive dos fantasmas começava a condensar no ar soltando fumaça a cada respiração, tudo estava quieto, inclusive a chuva que parecia que havia parado, foi quando pode se ouvir o primeiro passo, o barulho de esporas quebrou o silencio, seguido de outro passo com o mesmo barulho de espora.

O que Lust viu em seguida entrando pela porta quase fez com que seu coração parasse quando seu olhar se encontrou com o daquele homem, a luz prateada e tremula dos cavaleiros fantasmas iluminava aquele homem que quase não passava pela porta, trajava um sobretudo de couro preto surrado, por baixo uma camisa social também preta; em seu pescoço um crucifixo invertido, na cabeça um chapéu de cowboy que escondia um pouco o rosto nas sombras, mas não conseguia esconder a barba serrada nem o nariz comprido e fino.

- Você sabe o trabalho que deu para chegar aqui? – a voz do homem soava rouca e baixa sem muitas emoções – Entregue-me o que eu vim buscar e talvez eu poupe suas vidas.

- Me desculpe por isso, Lust – num balançar de mãos de Eleonor, um guerreiro fantasma agarrou Lust por tras – Vou atrasá-los para você – Eleonor sorriu para Lust e o mesmo desapareceu no ar com o cavaleiro fantasma.

O tele transporte de Eleonor não levou Lust muito para longe, ele estava agora do lado de fora da casa em cima de uma colina, a chuva castigava os campos e os raios cortavam o céu, o guerreiro segurava Lust que tentava se soltar em vão pois o guerreiro era muito forte, lá longe Lust pode apenas assistir com lagrimas nos olhos o casebre que emitia a luz prateada começar a desmoronar e a luz ir se apagando até que o guerreiro que o segurava começou a desaparecer no ar lentamente.

Lust caiu no chão de joelhos, as lagrimas lhe escorriam os olhos e se confundiam com as gotas da chuva

- NÃÃÃÃÃOOO – gritou com todas as forças de seus pulmões e um trovão bem alto veio em respostas. Se demorou na sua tristeza por vários minutos chorando em silencio pela dor de perder sua tutora, quando se levantou agarrou com força o cabo da katana a embainhando no mesmo momento que um raio cortava os céus, deu as costas para o casebre destruído e começou a correr ainda com lagrimas nos olhos em direção ao sul.


Prologo

O vento soprava fraco, mas o suficiente para balançar as cortinas da janela do apartamento do segundo andar num prédio simples da sétima avenida de Boston. As lufadas do vento frio de inverno traziam consigo alguns flocos de neve da noite congelante que fazia do lado de fora do quente apartamento.

Quente, pois as paredes antes apenas decoradas com um velho papel de parede de listras verdes rasgados em alguns pontos revelando a madeira velha que sustentava a casa agora era manchada com um liquido escarlate que brilhava tremulo a luz de velas que formavam um circulo ao redor do corpo de uma jovem morena de cabelos tão negros como a noite e a pele branca com tons avermelhados na face logo abaixo dos olhos devido as gotas do sangue do seu potencial assassino que agora jazia deitado com o corpo deitado para trás em cima de sua própria perna e com uma lamina fria de espada encravada na no meio do peito.
O homem caído morto ao lado do corpo desmaiado da mulher não revelava muita coisa porque estava coberto com uma túnica preta com um capuz que lhe cobria a cabeça, mas mesmo em baixo desse robe negro era possível notar braços grossos e fortes presos a um corpo de aparentemente dois metros de altura de puro musculo.

O estrondo da porta batendo que cortou o silencio macabro daquela cena não foi originado pelo vento que agora urrava lançando fortes rajadas de neve para dentro que se misturava com a poça de sangue quente no chão tomando uma tonalidade rubra, mas de um homem alto, magro, esguio de casaco negro com comprimento até as dobras de trás dos joelhos que balançava forte contra o vento assim como fazia seu cabelo longo até a altura da nuca e se não fosse as rajas da ventania bagunçando sua madeixas negras arremessando sua franja para trás a mesma teria comprimento para lhe cobrir o longo e fino nariz que não era feio, pelo contrario, o dava uma aparência frágil e escondia sua verdadeira força.

Preso ao seu cinto balançava conforme dava passos duros  no chão e determinado ao encontro do alvo se encontrava a bainha de sua lamina uma espada Katana media, rápida, leve e mortal nas mãos certas e nas mãos pálidas daquela figura negra que atravessava a luz tremula das velas não existia armamento mais mortal.

A entidade em questão se tratava de um vampiro, pálido como a neve, rosto sem expressão, sem vida e um olhar que despretensioso, que não demonstrava muitas ambições apenas o desejo de eliminar aqueles que se atrevessem a atravessar seu caminho. O vampiro atendia pelo nome de Lust e agora depois de cinco passos havia se aproximado do corpo do homem caído no chão com a espada cravada no peito. Lust se abaixou próximo ao cadáver e o fitou por alguns segundos em silencio antes de começar a falar.

- É uma pena – a voz de Lust era macia e suave pouco comum para uma criatura como ele – Se não fosse tão idiota poderia fácil ter se juntado a nós, mas preferiu tomar o caminho errado – Lust se levantou e colocando o mínimo de força no cabo de sua espada a arrancou do peito do cadáver e com um balançar forte para o lado esquerdo com a lamina fazendo um barulho cortante espirrou o sangue grudado no ferro da espada no chão gerando um som molhado e gelatinoso enquanto embainhava novamente sua katana.

Quando se virou para poder dar atenção a mulher que se encontrava desmaiada ao lado Lust foi surpreendido com uma investida em suas costas, parecia que acabara de ser atropelado por um trem desgovernado vindo a todo vapor contra sua coluna o arremessando por três metros a frente e rolando com um vulto negro preso a suas costas por mais dois metros até bater na parede ao lado da porta arrebentando-a como se fosse feita de isopor e finalmente parar no beiral de uma escada de madeira comida por cupins zonzo e cambaleante ao se levantar para descobrir quem era seu atacante e para sua surpresa era o cadáver que acabara de abater que havia retornado dos mortos.

- Chegou tarde vampiro o ritual já foi feito – a voz que saia por baixo do capuz era de uma entidade demoníaca como se um demônio estivesse possuindo o homem de dois metros e musculoso a única coisa que se via por baixo do capuz era os olhos flamejantes que brilhavam um tom alaranjado e amarelo enquanto olhavam para Lust.

- Eu devia saber que estava atrasado – Lust desembainhava a espada enquanto falava – Mas o corpo que você possuiu e apenas carne e ossos, nada que eu não consiga dar conta – um pequeno sorriso de canto de lábios apareceu no rosto pálido de Lust.

- Para cortar é preciso se aproximar primeiro – com um rugido de horror o gigante levantou seu braço com violência e da distancia de quatro passos de Lust o arremessou usando seus poderes demoníacos o vampiro escada abaixo e sem perder tempo enquanto o sangue suga caia do segundo andar se jogou logo atrás com o punho direito serrado e levantado até a altura da nuca w logo após Lust cair no chão rachando o piso de mármore com o peso da queda o gigante de dois metros o acerta com um soco bem desferido no peito fazendo o vampiro afundar por mais um metro chão a dentro rachando todo o assoalho do salão de entrada do prédio formando rachaduras por toda a estrutura da velha hospedaria. – Com este corpo e meus poderes eu sou praticamente invencível vampiro. – Logo após terminar de falar lançou outro soco agora com a mão esquerda, mas tao forte quanto o primeiro no mesmo lugar que havia acertado antes afundando Lust por mais alguns centímetros no solo – Aqui será cavada sua cova.

Lust recebia os golpes, afundava e gritava de dor quando recebia os socos. Mesmo estando morto o sistema nervoso de Lust era semelhante ao dos vivo devido ao sangue que o vampiro necessita sugar para se manter alimentado o sangue de suas vitimas ainda quente mantem os sistemas nervoso e os nervos de Lust ainda sensíveis a dor, por mais que seu coração não bata e ele seja uma criatura morta se Lust recebesse golpes ou se cortasse ele sentiria a dor como uma pessoa normal, mas com menos efeitos que um vivo e é o que ele deixa bem claro ao sorrir depois de levar o segundo golpe do gigante e quando ele preparava o terceiro soco com a mão direita e a mão viajava em direção a face de Lust o vampiro ergueu uma das mãos e parou o golpe do gigante possuído quebrando os ossos da mão direita do homem.
- Sinto te informar, mas eu não gosto de covas e caixões – Lust apertou mais ainda a mao do homem gigante esfarelando os ossos dos dedos do mesmo e com a força de um impulso o arremessou para trás fazendo com que o corpo atravessasse a janela da porta e estilhaçando todo o vidro que se espalhou pela calçada da entrada da hospedaria.

Lust se levantou da cratera aberta, mas logo teve que se abaixar de novo porque do lado de fora voando com uma velocidade tremenda e fazendo um estrondo de abalar novamente a estrutura da hospedaria uma pick-up 4x4 da Ford rasgava o ar e arrebentava todo o saguão de entrada da hospedaria ao ser arremessada pelo gigante. Lust se abaixou enquanto o automóvel passava zunindo em cima de sua cabeça e se arrebentava contra a parede logo atrás e aterrizando de cabeça para baixo.

Do lado de fora o homem possuído começava uma corrida digna de besta enfurecida e seu destino era novamente acertar outro soco na direção de Lust, que só teve o trabalho de pular para o lado e com um movimento fácil de espada arrancar o braço esquerdo do homem, o sangue jorrou e bateu na parede e também se espalhou pelo rosto e pelas roupas de Lust enquanto o gigante urrava de dor devido ao corte da espada que não era de uma lamina comum, a lamina de Lust podia matar qualquer tipo de criatura que julgava inimiga de seu mestre, sendo demônio, vampiro, lobisomem e qualquer tipo de criatura imortal ou não. Quando acertou o braço do demônio o lugar que antes era pregado um braço agora chamuscava como se tivesse pegado fogo.

- No incio – Lust falava enquanto passava a mão no rosto limpando o sangue, mas borrando de vermelho sua cara – eu fiquei me perguntando por que eu não havia conseguido te matar de primeira, mas você é espertão não é? Você esperou até eu arrancar minha espada do corpo desse homem para poder possuí-lo – Lust caminhava até o corpo do homem que agora não tinha mais seu capuz cobrindo sua cara e estava caído próximo a pick-up  revelando a aparência de um homem comum, careca e de orelha deformada provavelmente deveria ser algum lutador – Você é realmente muito esperto, mas eu sinto te informar – Lust apontou a espada contra a testa do gigante careca encostando apenas a ponta da espada abrindo um pequeno corte fazendo o homem gritar, o corte queimava e ia perfurando lentamente o crânio como se fosse aço derretido perfurando a carne – Uma hora ou outra eu ia conseguir te pegar – conforme falava ia movimentando a espada para baixo começando um corte que tinha inicio na testa e ia se estendendo e queimando o rosto do lutador possuído – Você é um demônio digno, mas escolheu um humano errado as emoções dele eram apenas voltadas para luta é uma pena não ter uma próxima para você, você me deu trabalho se encontrar seus amiguinhos lá em baixo mande um recado para eles por mim – o corte se estendia queimando até o peito e fazia uma curva até parar em cima do coração – Eu vou estar esperando por todos eles e nenhum deles vai conseguir traze-la de volta – Lust fechou a cara e enfiou com toda sua raiva a espada no coração do lutador possuído queimando seu coração o homem urrava parecia uma fera entorpecida de ódio e dor arrebentando todas suas cordas vocais até finalmente se calar e o silencio do vento engolir novamente a hospedaria rachada.

Houve paz apenas por alguns momentos até a policia chegar no local com suas sirenes altas e ensurdecedoras estacionando os carros em frente a hospedaria, eram ao todo cinco carros ocupados por motorista e passageiro somando ao todo dez policiais que desceram que suas viaturas já armados com suas pistiolas e apontando para dentro do prédio.

- Eu devia saber um embate dessas proporções não passaria despercebido – Lust surpirou e se virou para a porta enquanto a luz das lanternas o cegava momentaneamente, ele tentava proteger os olhos com a mão livre a final a outra segurava a espada.

- Largue a arma – disse o primeiro policial que liderava o grupo – coloque as mãos para cima e deite-se no chão lentamente – Lust nem se mexeu apenas encarava os policiais – eu disse para largar a arma ou vamos atirar – o guarda berrou, mas Lust apenas abaixou a mão que protegia os olhos e deu as costas para os homens – ATIREM!

O disparar foi uníssono como se fosse combinado para disparar todos ao mesmo tempo, isso apenas no primeiro tiro os demais foram descompassados e cada guarda atirando em tempo diferente do outro descarregando cada um deles um tambor carregado nas costas de Lust o perfurando como se ele fosse uma peneira. Lust se ajoelhou todo mole babando sangue e largando a espada com os braços sem vida não tendo forças para segurar a katana, após se ajoelhar o corpo foi pesando para frente e despencando em direção ao chão de mármore gelado até bater com o corpo contra o piso num baque surdo e sem graça.

- Senhor, não devíamos ter perguntado antes e atirado depois? – indagou um policial que tremia ainda com a arma ainda apontada.

- Olhe ao seu redor filho – o comandante guardava a arma no coldre e caminhava até o corpo de Lust – Você esperaria para atirar?

Todos os policiais guardavam suas armas até o corpo de Lust se reerguer do chão num pulo agarrando o pescoço do comandante com a mão e o arrastando como se fosse um boneco até a parede da escada fazendo cair poeira do assoalho com a batida. Os policiais olhavam horrorizados a cena e não podiam ajudar o comandante pois estavam sem balas em suas armas.

- Eu não queria confusão com vocês humanos – Lust estrangulava com estrema força o comandante que o homem já estava por um fio e sufocava já revirando os olhos – Mas infelizmente vocês não me deixam outra alternativa – o vampiro largou o pescoço do comandante aliviando a pressão do homem que pode em fim respirar, seus últimos suspiros já que num movimento rápido Lust abocanhou a jugular do comandante e começou a sugar todo o sangue que corria nas veias do homem que se contorcia tentando lutar contra a mordida, mas era em vão e em pouco tempo já estava tão seco como uma laranja chupada e largado no chão como um galho seco. Ignorando o homem que acabara de se alimentar Lust se virou para os demais sorrindo com a boca toda lambusada de vermelho – Quem é o próximo? – todos se entreolharam assustados começaram a gritar e saíram correndo rumo as suas viaturas – Porque sempre fogem? – Lust suspirou fundo e agora revitalizado não precisou se esforçar muito para alcançar o primero policial mais gordo e lento de todos e lhe arramcar a cabeça como se estivesse decapitando um boneco de pano.

Os dois próximos a estavam a um pulo de distancia o que obrigou Lust apenas a estender as mãos agarrando os dois policiais pelos braços, fez uma força para se puxar e ficar parado entre eles. Agarrou suas nucas e com movimento rápido e extremamente forte esmagou as cabeças dos policiais uma na outra . Outros dois policias estavam entrando nas viaturas ligando o carro quando Lust num salto pousou amassando o capo do carro destruindo o motor os homens gritavam dentro do veiculo e Lust socou o para brisa arrebentando o vidro e agarrando o pescoço do motorista o puxando para fora do carro como se fosse um saco de batatas, o segundo guarda tentava fugir quando com a mao esquerda Lust deu outro soco no parabrisa agarrando o guarda e o puxando também para fora do carro. O vampiro ergueu os dois homens segurando-os pela nuca e com extrema força bateu suas cabeças contra o teto do carro esmagando seus crânios contra o metal do carro.

Quando desceu do capo amassado do carro Lust foi surpreendido pela luz de um farol de uma das viaturas vindo em alta velocidade contra ele e o acertando em cheio na altura das pernas o arremessando para cima fazendo ele dar três piruetas no ar antes de cair no chão feito uma abobora. Os homens dentro da viatura comemoravam o que achava ser a vitória, mas enquanto os homens comemoravam o vampiro levantou e ficou parado olhando para a viatura que deu um cavalo de pau no meio da avenida e se virou novamente contra Lust.

- Vamos ver e você é durão mesmo – o policial desafiou e pisou bem fundo no acelerador do carro que berrou alto e saiu em disparada cantando os pneus em direção a Lust.

Quando a viatura estava centímetros de acertar novamente seu corpo Lust pulou e se agarrou no teto da viatura e com um soco atravessou o metal do carro agarrando a cabeça do policial do passageiro e o puxou com violência para com que ele ficasse apenas com a cabeça para fora do teto do carro, Lust fez o mesmo com o motorista deixando os dois policiais com a cabeça para fora do teto e com o carro desgovernado sem direção e a toda velocidade atingiu um carro que estava estacionado logo a frente e com a frenagem brusca da viatura o buraco do teto serviu como guilhotina decapitando os dois policiais e arremessando Lust para frente que caiu rolando no chão. Quando se levantou estrelou o pescoço colocando os nervos de volta no lugar e amarrando a cara ao ver uma figura reconhecida surgir no final da rua com a neve circulando em volta do seu corpo.

- Você não cansa de me dar trabalho não é mesmo, querido? – a voz era de uma senhora atarracada, mas gentil ela usava um casaco um pouco mais comprido que o de Lust, mas diferente dele, a senhora usava o casaco aberto e por baixo dele havia um espartilho preto.

- Se você não tivesse demorado isso não teria acontecido, Eleonor.


keithjacks:

This one was too perfect to not reblog immediately.

(via thechangeableone)

my fandom is better than your fandom

(Source: wakingpies, via doctorwho)

muggleborn-prince:

I cry every time i see this!!!!!!

(via doctorwho)

colincapurso:

The Doctor and the Impossible Astronaut Poster Design
Amy Pond and Rory the Roman/Pandorica Poster Design

A couple of new poster designs. I’m going to make a few more depending on if people like these ones. The design was heavily influenced by Olly Moss’ star wars posters. It’s a lovely style and I created them originally for display in my bedroom.

(via doctorwho)

Today Someone Asked If i Was a Whovian?

(via doctorwho)

toocooltobehipster:

Wait, so who made it?

toocooltobehipster:

Wait, so who made it?

(via mindofshannon)